terça-feira, 8 de julho de 2008














Quantos precisam morrer para a sociedade acordar?


Por Bruno de Alencar


Na história recente do Rio de Janeiro as barbáries se sucedem.


Lembram de Tim Lopes? Um grande jornalista que foi pego no exercício de seu trabalho, realizando uma matéria para denunciar o quanto o Estado brasileiro está podre. Denunciando a fragilidade do nosso sistema. Denunciando o que todos já sabemos: quem manda não é o Estado, representado pelo poder público, quem está no poder são os Criminosos.

Alguns anos depois, no dia 7 de fevereiro de 2007, novamente o país para, chocado pela brutalidade do crime que ficou conhecido como “caso João Hélio”.

Rosa Cristina Fernandes estava voltando para casa acompanhada dos filhos Aline, de 14 anos, e João Hélio, de 6 anos. Ela parou no sinal de trânsito quando homens armados a renderam e mandaram que eles saíssem do carro.

A mãe e a filha conseguiram sair a tempo, mas quando foram retirar o garoto que estava preso ao cinto de segurança no banco de trás, um dos assaltantes bateu a porta e acelerou o veículo. João Hélio ficou preso pelo lado de fora do veículo e foi arrastado por sete quilômetros.

A imprensa denunciou a violência do caso e os bandidos foram presos, igual ao ocorrido com Tim Lopes, onde os bandidos também foram parar na cadeia.

Mas será que se a imprensa não divulgasse tanto os fatos, se o caso não tivesse tomado proporções internacionais, os criminosos iriam mesmo para o xilindró?

Hoje o Brasil chora por outro caso de violência.

Dessa vez o próprio Estado puxou o gatilho, na figura de policiais totalmente despreparados.

João Roberto Amaral, de apenas 3 anos, estava no carro com sua mãe Alessandra Amaral e com o irmão de nove meses quando o veículo da família foi covardemente almejado por tiros.

Os policiais afirmaram que estavam perseguindo assaltantes quando houve o tiroteio. O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, admitiu que os PMs confundiram os veículos e atiraram contra o automóvel onde estava a criança.

No depoimento, os dois policiais militares ainda tiveram a cara de pau de afirmar que não atiraram no carro de Alessandra Amaral, mas sim que atiraram nos criminosos. Os tiros só cessaram quando a mãe saiu do veículo desesperada pedindo socorro.

O “nobre” secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, veio á imprensa e pede desculpas pelo ocorrido, embora reconheça que "um fato como esse não tem desculpa". Mas se os PMs afirmam que não atiraram, por que pedir desculpas? Isso, em minha opinião, é uma confissão da incapacidade do Estado em gerenciar a segurança pública.

Beltrame ainda afirmou que "o policial que sai para a rua em um domingo a noite em uma zona que tem 19 morros já sai preparado, vigilante." O secretário ainda reconhece que faltou "treinamento, raciocínio, análise de critério."

Leiam mais uma vez a declaração do secretário. Pelo amor de Deus. A falta de responsabilidade do Estado do Rio de Janeiro já chegou ao seu pior estado de podridão.

Justificar o despreparado da PM por causa da tensão a que são submetidos? Mas porque o Estado deixou a situação chegar a esse ponto?????

Eu não tenho filhos, mas quando eu leio a declaração do pai do garoto João Roberto eu confesso que fico indignado.

"Eles [policiais] metralharam o carro da minha mulher e não deram chance de defesa. Tinha criança dentro do carro. Quase que matam a família toda. Minha mulher está com o corpo cheio de estilhaços", afirmou Paulo Roberto Amaral, pai de João Roberto.

Eu rezo por todos. Eu quero com todas as minhas forças não guardar rancor no meu coração. Mas às vezes penso que a situação só vai melhorar quando os políticos estiverem na mira dos bandidos.

E por falar nisso, recentemente um relatório informou que 81% dos políticos cariocas respondem na justiça por crimes supostamente cometidos. Sinceramente, acho que isso explica a situação de calamidade pública vivida no Rio de Janeiro.

Alguém lembra de um caso envolvendo filhos dos excelentíssimos políticos?

Até quando vamos nos calar? Quem será o próximo João??????????

Quando os jornalistas apuravam os fatos que envolveram a morte de Tim Lopes, os criminosos gritavam: “Vai ter mais Tim... vai ter mais Tim”. Eles cumprem o que falam, todos os dias temos mais Tins, Marias, Joãos...

O Rio de Janeiro não é o único Estado onde a violência impera. O Brasil todo é um grande Rio de Janeiro!

4 comentários:

Você em Pauta disse...

Gente!
Esse blog nao é meu, é nosso!
E sendo nosso estendo ele as pais dessa criança vitima do Estado, sim, nao foi apenas o policial que puxou o gatilho, foi todo o Estado!!
E Estado, tambem sou eu e vc!!
Por isso gente, nao vamos mais pedir que isso venha acontecer..... vamos nos manifestar gente.....
Vi em uma declaração, que foi um engano... como nossos politicos se enganam nesse país né....
Se enganaram e acabaram com nosso dinheiro nos cartoes coorporativos.... depois alguem se enganou e mandou um dossie para alguem...
Agora se enganaram novamente....
Gente....vamos fingir de nos enganarmos tbem e votar certo... depois podemos falar que foi...... por engano talvez!!

Você em Pauta disse...

Mais uma vez, parabens Bruno por colcaborar com nosso simples, modesto, mas autentico blog.

Todas asquintas feiras publicando aqui seus texto, mas nao resistiu a esperar a quinta e escreveu hj mesmo....

Obrigado por sua colaboração sempre!

Obrigado amigo!

leonardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
leonardo disse...

“ O Brasil todo é um Rio de Janeiro”

Esta é a frase que mais sintetiza o momento em que nosso país vive. Olhem bem, não estou falando que é o momento que o país esta passando, porque a conjugação do verbo passar significa que é apenas um momento, e no caso de nosso país esse momento já completou 500 anos.
O companheiro Bruno tem toda razão, precisamos reler a fala deste dito cujo com cargo de secretario da segurança pública.
Antes, por ser eu um morador aqui do Rio de Janeiro, eu e todos os cariocas já nos sentíamos inseguros, agora, com a fala desse cidadão imagina!
Olha a saúde do Brasil, o Brasil é muito grande e você não consegue enxergar, tudo bem, olhe apenas para a saúde do Rio de Janeiro, pessoas morrendo a espera de um médico.
Outras morrendo vitima de um simples mosquito que pela incompetência do Poder Público se transformou em um Dragão de Mil cabeças.
Concordo com o companheiro Felliphe, foi o Estado que enfiou aquela bala nesse tenro menino.
Porém companheiro; não posso concordar em aceitar apenas as desculpas desse secretario!
É fácil pedir desculpas se não é seu filho que esta dentro de um caixão.
É fácil falar que foi um engano, como esse que esses caras de pau falam dos cartões corporativos.
Pois bem, eu também irei me enganar vou me dar esse direito.
No dia da eleição, meio sem querer, meio que enganado, votarei certo!
Em pensar que esse país teve como nome, Terra de Santa Cruz.
Hoje, a população somente tem a Cruz, e os políticos a cara de pau, mesma madeira que se constrói a Cruz..
Boff