quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Lições de um inesquecivel principe

          “O Pequeno Príncipe”, obra mais conhecida do escritor francês Saint-Exupéry, é um livro de sempre, de todas as horas, de todos os momentos da vida. Em recente releitura, selecionei um pequeno fragmento dessa maravilhosa prosa poética para refletir o sentido da vida…

          “As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém… Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto… e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!”

(Antoine de Saint-Exupéry)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Lições da Boneca Emilia

Vale a pena reler a obra de Monteiro Lobato. Quantos ensinamentos e reflexões trazem as aventuras da Turma do Sítio. Memórias da Emília é um verdadeiro tratado de Filosofia. Com senso de humor sutil, mas afiado, suas palavras nos provocam, cutucam , incomodam. Deliciosamente. Conta que certo dia, Emília resolve escrever suas memórias. Convoca, mandona, o Visconde de Sabugosa para auxiliá-la.  A boneca decide explicar o significado da vida, palestrando ao Visconde, já impaciente com a demora.   Emília defende-se:

- Sei dizer coisas engraçadas e até filosóficas. (…) Sabe o que é um filósofo, Visconde?
O Visconde sabia, mas fingiu não saber. A boneca explicou:
- É um bichinho sujinho, caspento, que diz coisas elevadas que os outros julgam que entendem e ficam de olho parado, pensando, pensando, Cada vez que digo uma coisa filosófica, o olho de Dona Benta fica parado e ela pensa, pensa…
- Ficam pensando o quê, Emília?
- Pensando que entenderam.
O Visconde enrugou a testinha e quedou-se uns instantes de olho parado, pensando, pensando. Aquela explicação era positivamente filosófica.
- E como sou filósofa – continuou Emília – quero que minhas Memórias comecem com a minha filosofia de vida.
- Cuidado, Marquesa! Mil sábios já tentaram explicar a vida e se estreparam.
- Pois eu não me estreparei. A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem  para de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais.(…)
O Visconde ficou novamente pensativo, de olhos no teto.
Emília riu-se.
- Está vendo como é filosófica a minha idéia? O Senhor Visconde já está de olhos parados, erguidos para o forro.(…) A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e anda; pisca e brinca;pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre? – perguntou o Visconde.
- Depois que morre vira hipótese. É ou não é?”


Temos que concordar com Emília. E se há vida, não fechemos , então, nossos olhos.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sempe a sua espera.....

Homenagem a uma grande amiga

Sempre me avisaram para eu ficar esperta, pois o amor nunca avisa quando virá.

Nunca dei muita bola para isso, porem confesso que nunca me saiu da cabeça.

Um dia ouvi que o amor e a felicidade andam de mãos dadas e sempre passam por nós e poucas vezes o vemos. Pois bem, eu o vi de frente ao meu portão.

Não sei se é bem assim, se de fato era o amor de mãos dadas com a felicidade, mas sei que ele sempre insiste em me estender as mãos. Confesso que ele passou aqui em frente de casa sem avisar mesmo, porem eu estava com os olhos bem abertos.

Lembro-me como se fosse hoje, ele passou e me olhou. Não me recordo bem ao certo o que me levou para frente de casa. Talvez fui colocar o lixo para fora ou fui fechar o portão? Não sei o motivo, mas sei que lá eu estava quando ele passou..... Passou e nunca mais saiu de lá!

Confesso que ainda hoje, ao passar no portão,  meu coração pede para ficar um pouco mais, quem sabe ele dobre a esquina e venha em minha direção.

Ainda posso sentir seu olhar a me fitar. Não vi maldade em seu olhar, na realidade não vi nada, foi à ausência das coisas que me fizeram derramar-me dentro de seu olhar. Mas era apenas um olhar, pelo menos foi o que eu pensei.

Logo depois, o mesmo olhar. Não era mais no portão, já era na missa. Parecia que estava a me seguir. E eu, estava gostando.

O olhar do portão, depois o olhar na missa, logo depois o olhar na praça e assim foi olhando eternamente, ate hoje.

Espero que seu olhar nunca me perca de sua vista, pois para mim, basta olhar para mim mesma que já o vejo refletido em meu ser.

A distancia não nos permite mais nos fitarmos com olhares, porem aquele primeiro olhar se eternizou no tempo e em nosso coração. Fecho os olhos e o encontro aqui, olhando e me falando silenciosamente que me ama. Afinal, saudades também é uma forma de fica, que seja assim, que ele sempre fique.

Volto para o portão, vou ficar por aqui.

Já que o amor e a felicidade vêm sem avisar, vou ficar por aqui, quem sabe ele resolve chegar de surpresa.
 

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O último suspiro...


Por Bruno de Alencar

As cartas para a corrida presidencial estão na mesa.
Três nomes aparecem no cenário nacional, mas é sabido que apenas dois deverão participar da disputa mais acirrada.
Marina Silva demonstra boas intenções, mas só, e como diz o ditado, de boas intenções o inferno está cheio.
Já na disputa “pra valer”, Dilma Rousseff e José Serra disputam voto a voto até o momento.
Com a campanha no rádio e televisão, os petistas acreditam que a transferência de votos do Presidente Lula para a candidata do governo vai decidir a eleição. Há quem diga, até, em vitória no primeiro turno.
Já o tucano José Serra mais uma vez esbarra em problemas internos no partido, mas segue firme na disputa pelo Palácio do Planalto. Ninguém duvida do potencial do candidato.
Dilma diz que vai continuar com a política governista, Serra tenta mostrar que não é burguês, Dilma é a queridinha do presidente Lula, Serra tenta mostrar que é o filho pródigo dos feirantes do mercado municipal de São Paulo.
Ao que tudo indica o pleito caminha, novamente, para o embate Burguesia x Povão e o marketing político, mais uma vez, será uma ferramenta decisiva - ou alguém acha que os sorrisos da Dilma e as lágrimas do Serra são espontâneos?
A disputa por enquanto está apertada. PT tenta colar a imagem da ex-ministra Dilma à do presidente Lula e o incrível é que o mesmo acontece no PSDB (quem diria José Serra querendo pegar carona na popularidade do Lula... enquanto isso, Fernando Henrique Cardoso amarga, mais uma vez, a solidão e o esquecimento do próprio partido).

                       Agora é só dar tempo ao tempo e ver o que vai acontecer....