“Penso em minha mãe. Penso no seu jeito triste de me amar. Gostaria
de vê-la só mais uma vez. Só para ter a oportunidade de dedicar lhe um olhar
demorado, sem distancias. Queria ficar com ela em solidão. Arrancar lhe o
lenço, pentear lhe os cabelos e enfeita los com flores do campo. Vestir lhe
vestidos vermelhos, felizes, perfumados. Destrancar seus lábios para que
pudesse falar seus medos, receios, desejos. Queria assentar me com ela na cama,
entrelaçar lhe as mãos em movimento de cumplicidade e contar lhe tudo o que a
vida me permitiu viver. Confidenciar lhe os medos que experimentei em sua
partida, a vida de desafios que assumi, e ouvir as confissões de seu coração
envelhecido. Queria perguntar lhe o que nunca soube perguntar. Investigar seus
prazeres ocultos, suas alegrias miúdas. Queria desenterrar de sua boca a risada
nunca permitida, o grito eufórico, o desabafo. Queria fazer o que nunca recordo
ter feito. Aconchegar minha cabeça em seu colo, aninhar me indefeso, entrelaçar
meus braços em suas ancas de mulher, pedir lhe socorro, proteção. E depois,
balbuciando como uma criança que se sabe amada, eu lhe pediria que me
retornasse ao ventre, para que, no exercício de sua maternidade, ela me
devolvesse ao primeiro estado de minha vida estranha. Eu e ela. Indistintos corpos
numa única urdidura biológica. Simbiose silenciosa que jamais seria rompida por
contrações musculares que inauguram a
partida que nunca cessa. Eu no ventre. Adormecido na indivisa condição de
pertença. Eu ventrifixado, não acontecido, preservado para todo o sempre do
tortuoso destino de nascer, de romper as entranhas, de expor minha alma de
sombras aos desconfortos da inclemente luz do sol. Eu e ela”
sábado, 8 de setembro de 2012
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Sonho......
Sonho é assim.
Às vezes ultrapassa a escuridão da noite e
ganha luz.
Ressuscita no domingo de ramos e ganha voz em nossos gritos
de aleluia.
Sonho às vezes é maior que nossa realidade e inverte a lógica
do sonhar.
O sonho se torna realidade e a realidade é mera recordação
de um sonho um dia sonhado.
Quero realidades mergulhadas em sonhos. Não sonhos que
terminam com o raiar do sol, mas sonhos que vão se aquecendo conforme o sol vai
chegando.
É feito alimento no fogão. Conforme o calor vai aumentando, o
que antes era grão torna se alimento.
Meus sonhos seguem a mesma lógica. No calor do sol real que
vai chegando, meu sonho vai estendendo o tapete sob carne amanhecida em minha
alma....
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Espero.....
meus gemidos de amor são internos...
grito e som ecoa em mim....
som sem palavas, som de silêncio...
pois do amor, apenas conheço isso
seu silêncio que insiste em permanecer..
um dia espero que meu gemido ganhe palavras...
que meu amor crie eco
que meus verbos ganhem corpo
que meu amor, ganhe o amado!
grito e som ecoa em mim....
som sem palavas, som de silêncio...
pois do amor, apenas conheço isso
seu silêncio que insiste em permanecer..
um dia espero que meu gemido ganhe palavras...
que meu amor crie eco
que meus verbos ganhem corpo
que meu amor, ganhe o amado!
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Irei viajar....
Irei viajar.
Nao tenho o bilhete da passagem nas maos e nem
o destino eu sei. Viagem que nao se faz de aviao e nem de trem. Irei viajar em
mim. Visitar meus subterraneos. Meu sub mundo. Meus erros. Meus medos.
Lembranças jogadas para debaixo do tapete. Feridas carregadas na alma e no
corpo. Hora de parar. Cansei de ir. Preciso voltar. Me resgatar de mim mesmo.
Trazer pela mao aquele que em mim esta perdido em algum lugar que nao tenho
mais acesso. Hora de entrar em meus matos. Abrir clarão em minha escuridao. Sei
que voltarei. Não sei que dia e nem que hora. Mas voltarei. Em meu retorno
espero trazer aqueles que perdi. Mas acima de tudo, espero trazer meu sorriso
no rosto e a liberdade na alma de ser que eu sou....
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