quarta-feira, 22 de abril de 2009

Projeto para “Moralização da Câmara” é uma vergonha Nacional.

 

Por Bruno de Alencar

jornalistabruno@gmail.com

 

Vivemos uma crise ética no Congresso Nacional. Os escândalos se sucedem dia após dia e nada acontece. O terrível é que não existe mais nenhuma surpresa. Atrizes, sogras, filhos, tios, sobrinhos, e até mesmo pessoas que nem mesmo os próprios parlamentares conhecem estão se beneficiando de dinheiro público para fazer turismo nacional e internacional.


A Câmara dos Deputados, em Brasília, se transformou em um picadeiro. Michel Temer, que deveria ser o “domador dos leões”, está mais para animador de platéia. Na comissão de ética estão os equilibristas, não julgam ninguém porque também estão na corda bamba. Os deputados são os Mágicos, fazendo o dinheiro público desaparecer. Já o povo, pra variar, é o palhaço! - (Não tenho nada contra os profissionais circenses, até porque eles não merecem serem rebaixados numa comparação tão degradante, foi apenas uma ilustração).


O Presidente da Câmara, Michel Temer, se reuniu na noite desta terça-feira (21/04/2009) com líderes de diversos partidos e membros da Mesa Diretora. A novidade, desta vez, foi o anuncio de um “pacote moralizador” baseado em três questões: Passagens aéreas, Transparência nos gastos dos parlamentares e Aumento Salarial para os deputados.


Segue abaixo uma descrição dos três itens supramencionados:

 

Fonte: Jornal (online) Folha de São Paulo e Blog do jornalista Fernando Rodrigues

Família: Os deputados serão proibidos de ceder bilhetes aéreos a terceiros, mesmo que sejam pessoas da família. A cota de passagens será de uso exclusivo dos parlamentares. Só em serviço. Acabam as viagens turísticas. Serão abertas exceções apenas para assessores credenciados pelos deputados. Desde que a viagem seja justificada e aprovada pela direção da Câmara. Corte: A cota de passagens será reduzida à metade. E vai expirar no final de cada ano. Acaba a farra do acúmulo para utilização futura. Hoje, as passagens dos 513 deputados custam ao erário cerca de R$ 86 milhões ao ano. Com o corte, pretende-se economizar R$ 43 milhões anuais.

 

Transparência: Vão à internet os gastos da Câmara que ainda não estão expostos. A decisão alcança todas as cotas: passagens, telefone, Correios, auxílio-moradia etc.

 

Salários: hoje, deputados e senadores ganham R$ 16,5 mil por mês. Há um movimento antigo na Câmara para equiparar esse valor ao de ministros do Supremo Tribunal Federal, em torno de R$ 24,5 mil. Esse movimento ganhou força na última reunião de líderes e deve ser posto em discussão.


 

Agora, diga-se de passagem, é uma falta de vergonha na cara, uma verdadeira hipocrisia os parlamentares usarem a 'transparência' como um “sacrifício”, uma moeda de troca. Isso é obrigação de um político. No ano 60 A.C. surgiu um escândalo em Roma e uma frase do então Imperador ficou famosa e é falada até os dois atuais: “A mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta”. Dois mil anos após essa frase e nossos parlamentares ainda não aprenderam o verdadeiro significado da “evolução”... Pelo visto o nosso Congresso Nacional tem o poder de alienar as pessoas.

 

Outra questão: “O Efeito Cascata”! Se o aumento salarial para os deputados federais for efetivado teremos um tsunami nas contas públicas de Estados e Municípios. Deputados Estaduais e Vereadores têm os seus salários atrelados aos vencimentos dos Deputados Federais. Portanto o país teria um aumento bilionário com a Folha de Pagamento para sustentar Políticos. Existe a possibilidade da desvinculação dos salários, porém os parlamentares estaduais e municipais teriam autonomia para fixar os próprios rendimentos, ou seja, um tsunami maior ainda.


E tudo isso em tempos de crise. Você conhece alguém que perdeu o emprego nos últimos seis meses? Pois é, nossos parlamentares não estão nem aí para essa pessoa, não ligam para a economia do país, vivem num universo paralelo. Mas o grande problema é que o nosso dinheiro sustenta essa turminha...


A cada dia que passa o Congresso Nacional me decepciona mais e mais. Apesar da minha pouca idade (tenho apenas 25 anos), sei que a história recente do nosso país é marcada por uma luta pela democracia. Muitos que hoje nos representam no Congresso Nacional foram ativos nesta luta. Infelizmente estão jogando as suas biografias na lata do lixo, bem lá no fundo do lixo mesmo.

 

Gostamos de fazer piada com os argentinos, mas por muito menos eles já estariam nas ruas protestando. E agora, você, brasileiro, que se acha melhor que nossos “hermanos”, o que vai fazer?

 

E o pior é que nem adianta acreditar em renovação. Renovar o que com ACM Neto ocupando cargo de Corregedor na Câmara, Rodrigo Maia presidente do Democratas, Sarney Filho líder do PV na Câmara, Roseana Sarney Governadora do Maranhão. Isso sem falar no Collor "fiscalizando" as obras do PAC, Sarney na presidência do Senado, Renan Calheiros articulando nos bastidores... E tantos outros que se perpetuaram no Poder... Transformaram a política em profissão.


Quando estourou o escândalo do Jatinho fretado pelo Senador Tasso Jereissati, eu estava assistindo a TV Senado e vi outro senador falar que ele, Tasso, pagava para ser Senador. Ah tenha paciência. Se ele paga para ser Senador, alguém me diga quanto ele cobra para abandonar o Congresso Nacional que eu vou organizar uma campanha para arrecadar esse valor para me livrar pelo menos de um político... 


Voltamos ao tempo do Feudalismo... Ou talvez estejamos vivendo uma sociedade de Castas. Filho de peixe, peixinho é... Esse ditado aplicado na política nacional é muito verdadeiro...

 

 Preciso acreditar que dias melhores virão.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Um anjo de nome Frederico!

Um anjo de nome Frederico
por Douglas Felliphe
- As crianças estão entrando na capela Felliphe, isso não pode acontecer. Estou sempre encontrando um prato com comida lá dentro. Isso não pode acontecer, é um absurdo!

Foi desta forma que o silêncio de minha sala foi violentamente interrompido. Padre José nem nos saudou com seu habitual bom dia!
Sua fala estava mergulhada em uma profunda preocupação. Alguém estava colocando em risco a Capela que a duras custas foi conseguida junto ao Bispo.

- Já pensou se o Bispo entra na Capela e vê aquele prato de comida? Resolva isso, por favor!

Mesmo sem compreender do que Padre Jose estava falando, eu aceitava as suas preocupações. Sou testemunha de sua luta para a construção da Capela que foi dedicada a nossa Padroeira, Nossa Senhora das Graças. Reuniões e mais reuniões, projetos daqui e dali. Mas enfim, a Capela foi construída - com todas as ressalvas da Diocese, mas Padre José conseguiu.

No interior da Capela estava o Sacrário, bem ao lado de uma relíquia da Igreja: uma imagem de Nossa Senhora das Graças, datada de séculos passados.

Padre José entrou com seu jeito particular de ser, expôs a sua preocupação e foi embora. Deixou-me mergulhado em meus papéis, com o desafio de ser a sentinela de sua Capela.

O trabalho social da Igreja rendeu á capela uma creche e uma escola infantil. Um número alto de crianças é atendido diariamente. Todas peraltas e serelepes. Mas de uma coisa todas sabem: Não poderiam entrar sozinhas na Capela, na “Casa da Mãe do Céu”. Não era aceitável que entrassem na Capela na hora da refeição. Todas deveriam comer juntas. Mas se realmente a regra tiver sido quebrada, porque levar um prato de comida?

Perguntas que careciam de respostas. Afinal de contas a Capela do Padre Jose não poderia correr nenhum risco. O que os fiéis iriam falar ao saber que um prato de comida estaria sendo posto aos pés da Santa?

Na hora do almoço fui para a Capela. Ela estava intacta, sem nenhuma pista do autor da travessura. A porta estava entreaberta. Entrei e tudo estava como sempre: A vela acessa, o Sacrário como morada do Eterno com os seus lírios sob sua superfície, ao lado estava a Imagem de Nossa Senhora das Graças, imponente em sua altura, com quase um metro e meio, mas delicada em seus detalhes. Quanto maior se é, mais detalhes se têm! Guardando a imagem, sua redoma de vidro. Trata-se de uma relíquia.

Aproximei-me do Sacrário e fiz minhas orações. Olhei para a Imagem da Santa e fiquei em silêncio. No fundo da Capela havia uma pequena sacristia. Fui para lá e fiquei aguardando. A porta ficou entreaberta, esperando para ver quem era que estava visitando a Capela diariamente com um prato de comida.

Ouvi as crianças se arrumando no refeitório para a refeição. A Capela continuava da mesma forma, porta entreaberta, o Sacrário, a Imagem e eu.

Após uns quinze minutos, alguém surge à porta da Capela.
Abriu a porta com cuidado, na intenção de não fazer barulho. Colocou a cabeça para dentro e olhou para ver se não havia ninguém. Era Frederico!
Frederico é um menino novo em nosso meio. Esta na Escolinha há mais ou menos um mês. Chegou até nós vindo de um abrigo do Poder Publico. Um menino com apenas oito anos de idade, mas que já experimentou os piores sabores da vida.

Desde sempre nunca conheceu o pai. Quis a vida que fosse assim. Cresceu vendo o pai de seus amigos brincarem com seus colegas. Adentrava as brincadeiras não para se alegrar, mas para viver por apenas alguns minutos a alegria de ser filho, de ter pai!

Mas se por um lado nunca teve um pai, de outro tinha uma hiper mãe. Dona Josefa. Mulher de fibra e de garra. Educou sozinha o seu filho. Não abriu mão do ato de ser mãe, ao contrario, foi mãe e pai para aquele menino.

A luta foi tanta que a levou a contrair uma pneumonia. Cuidou de seu filho sem hesitar. Priorizou tanto o garoto que se esqueceu de cuidar de si mesma.

Nos últimos meses a vida não foi nada fácil para aquela família.
Se não bastasse à vontade de ter um pai, Frederico convivia com sua mãe lutando contra a fome de alimentos, de comida. Dona Joséfa não sabia o que fazer: comprar alguns remédios ou um pacote de arroz para seu filho.

A vida por seus motivos lhe tirou seu pai, sem mesmo ele nunca o ter visto. Agora a mesma vida, através de uma pneumonia, lhe tirava a sua mãe.

Dona Joséfa não suportou a doença e faleceu. O motivo foi a pneumonia. Mas na inocência de Frederico a sua mãe morreu de fome.

Sem família, foi parar nas mãos do Poder Publico. Ficou em um abrigo, entregue a realidade desses centros de cuidados, mas que infelizmente nem sempre conseguem cuidar dos garotos e garotas.

Um dia Frederico encontrou com um Juiz em uma dessas visitas. Disse ao magistrado que não queria ficar ali e, caso fosse obrigado a ficar, iria fugir.
O Juiz não poderia fazer: mas fez! Entrou em contato conosco e conseguimos uma vaga. A partir de então Frederico fica no colégio da igreja durante o dia e volta para o abrigo no final da tarde.

Agora ele estava ali, na porta da Capela. Abriu a porta e entrou.
Mas não entrou simplesmente como se estivesse em um lugar comum. Aquele espaço era especial. Tirou as sandálias e as deixou no canto da porta. Limpou seus pés no tapete e adentrou cautelosamente.

O ato de deixar as suas sandálias demonstrou o seu respeito. Naquele lugar ele não queria entrar com as sandálias empoeiradas, com as marcas de lágrimas derramadas em seu dia a dia. Ali era lugar do coração, da esperança.

Entrou silenciosamente. Como anjo foi pisando e voando sobre aquele chão. Não havia barulho, era apenas silêncio.

Fiquei imaginando que Frederico estava fazendo o mesmo movimento dos anjos ao se aproximarem do Sagrado. Silêncio e respeito. Não como nós, que entramos com celulares tocando, tropeçando nos bancos e gritando a comadre que está do outro lado da Igreja.

Permaneceu diante do Sacrário com o mesmo silêncio de sua entrada. Eu apenas admirava. O seu olhar falava coisas que ninguém poderia ouvir, e realmente não era para ninguém ouvir.

Depois de alguns minutos colocou a mão em seu bolso e tirou uma fruta, colocando-a aos pés do Sacrário. A maçã fazia parte de seu almoço.
Afastou-se do Sacrário e caminhou em direção a Imagem da Santa.
O mesmo movimento de silêncio e palavras não ditas se repetiu. Apenas um diferencial. Uma lágrima surgiu em seu rosto. Pegou um prato de comida que havia deixado sobre o banco e colocou aos pés da Santa.

Eu apenas olhava. Aos poucos foi se afastando da Imagem, mas com o seu olhar fixo na Santa. Não me contive e aproximei-me, respeitando o seu clima e o seu rito de silêncio.

Ao chegar a seu lado, nada falei. Minha intenção era comungar daquele momento lindo de adoração.

Frederico, sem tirar seus olhos da Santa e com a voz embargada me disse em tom baixo: - Tio, eu sei que eu não posso ficar aqui, mas não pude resistir. A Tia Odiméia falou que neste lugar mora o Papai e a Mamãe do Céu. Quem dá comida para eles? Minha mãe morreu de fome e eu não vou deixar a Mãe do Céu morrer também!”

A inocência daquela fala me tirou o ar e quebrantou o meu coração. Não havia resposta para aquela pergunta.

Frederico, ainda com os olhos fixos na Santa, procurou minha mão com seus dedos singelos e continuou a sua fala: - O senhor não tem a chave dessas caixas não? Quero tirar o Papai e a Mamãe do céu de lá, acho que eles estão com fome.

Naquele momento o Eterno se fez presente. Com poucas perguntas aquele menino, que já havia passado por tanto sofrimento, me propiciava experimentar a mais bela defesa de Teologia.

Segurei firme em sua mão, olhei para ele e apenas o abracei. Saímos da Capela alimentados. Não lhe falei nada. Ele também não pronunciou mais um palavra sequer. Ao sair pegou as suas sandálias e correu para brincar com seus amigos.

Eu fiquei por alguns instantes ali na porta da Capela, olhando para a Santa e ecoando em mim a fala do menino.

Aprendi muitas coisas naqueles poucos minutos com Frederico. A sensibilidade da criança, a inocência de seus pensamentos, o gesto singelo de zelo e o carinho pelo Sagrado. Mas algo muito em especial transformou a minha vida: O conceito dos Sacrários abertos, escancarados!

Ao perguntar a mim onde estava a chave para abrir o SACRÁRIO, Frederico expressava um desejo do Eterno.

Fica uma lição para a vida: Somos Templos Vivos de Deus. Sacrários Vivos! Muitas vezes trancafiamos em nós o Sacrário, limitamos Deus a nossos gestos, a nossos gostos, a nossas vontades.

A pergunta do garoto deve ecoar, mas não pelas construções arquitetônicas, mas em nossos corações.

Onde está a chave de nosso Sacrário? Onde ela está para abrirmos e o levarmos a todos aqueles que precisam experimentar esse Deus Vivo, que insiste em habitar em nós?

No ato de levar comida para o Sagrado Frederico me alimentou. Deus tem muita mais fome de nós, do que nós Dele. Deus é faminto por nós!

Ah, antes que eu me esqueça, com relação a Padre José eu não poderei fazer. Como disse meu amigo Frederico, “A mamãe do Céu não pode morrer de fome”!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Eloá....

Um namoro, um sequestro, uma morte......
Restou uma lição????

Por Douglas Felliphe
Algumas semanas após o falecimento e sepultamento da jovem Eloá, me sinto um pouco mais a vontade para escrever algumas linhas sobre o caso.

A vida, com suas dores e fatalidades, por vezes nos tira do eixo do cotidiano, apresenta suas surpresas que, como diz o próprio nome, não esperamos, e não esperando, nunca sabemos como reagir.

Em um domingo, a mãe almoça com a filha. Juntas, tiram os pratos da mesa e passeiam pela vida através de recordações, relembradas ali, na cozinha da casa, enquanto uma vai lavando a louça e a outra guardando os pratos.

No dia seguinte, a mãe é impedida de entrar em sua própria casa. A filha, que horas atrás sorria de felicidade, nesse momento chora tendo o mesmo território da cozinha, que antes era palco de risadas, e agora dá lugar a seu cativeiro sob a mira de uma arma.

A vida e suas surpresas. A vida e seus ensinamentos.

Esse texto não tem como objetivo fazer nenhuma análise sobre o caso Eloá. A única intenção é tentar ler as entrelinhas dessa fatalidade para observar além de uma ausência, de uma saudade, e responder a questão: o que mais Eloá nos deixa?

Muitas vezes a vida humana imita a natureza.

Uma semente para que se transforme em uma bela e frondosa árvore precisa passar pelo movimento doloroso da morte para que depois possa oferecer sua sombra e seus frutos.

Lanço-me no desafio de enxergar as coisas assim. Prefiro ver que Eloá não deixou apenas uma lembrança e saudades, mas que sim, deixou um desafio para nós, um desafio que consiste em re-formatar nossas famílias, nossa sociedade, nossa juventude, para que esses possam oferecer sombra fresca, tranqüilidade e bons frutos para nossos filhos.

Prefiro acreditar também que Eloá não foi seqüestrada naquela tarde de segunda feira, mas sim há 3 anos atrás.

Prefiro acreditar que Eloá entrou em um seqüestro profundo e longo ao iniciar seu namoro com apenas 12 anos de idade.

Prefiro acreditar que não somente Eloá era vítima desse seqüestro, mas que eu, você, e nossos filhos também passaram pelo mesmo processo de seqüestro. Passamos ao entregar nossas crianças precocemente aos namorados, aos jogos de vídeo-game, ás comunidades inférteis de Orkut, a conversas intermináveis em MSN, a amizades contaminadas.

Lindemberg Alves representa apenas uma realidade. A realidade de uma sociedade que a cada dia mais intensifica seu processo de seqüestro de nossas crianças, de nossos jovens.

Uma sociedade que seqüestra o tempo de nossas crianças, o direito de brincarem com seus “carrinhos” e “bonecas” e os coloca em cativeiros dentro das lan houses.

Uma sociedade que seqüestra o tempo de nossas adolescentes de simplesmente serem adolescentes, as colocando em cativeiros de relacionamentos inférteis.

Uma sociedade que seqüestra de nossas crianças e adolescentes a liberdade de serem adolescentes e crianças, os colocando em cativeiros do mundo adulto.

Não permitem nossas crianças de serem crianças, as querem adultas, tecendo relações adultas.

Porém, vale ressaltar que eu e você também somos esses seqüestradores.

Somos seqüestradores todas as vezes que, ao invés de colocarmos nossos filhos em nosso colo para aprenderem a ternura de um seio familiar, os colocamos no colo de seus namorados.

Somos seqüestradores todas as vezes que ao invés de sentarmos com nossa família para uma conversa e uma partilha, preferimos sentar em frente à TV e ver a ficção de uma novela.


Desta forma, termino esse texto pedindo a libertação de tantos e tantos que hoje estão seqüestrados, mas também meu pedido de desculpas a todos, pois também sou seqüestrador!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Quem será que manda nisso aqui!

Se tudo correr conforme o script, finalmente o ministro da Defesa Nelson Jobim depõe logo mais na CPI dos Grampos na Câmara dos Deputados.

Jobim deve esclarecer as afirmações de que a Abin possui equipamento capaz de fazer escutas telefônicas, o que a Abin nega e é contra a lei, porque não faz parte das atribuições da agência. Quem pode fazer escutas telefônicas com autorização da Justiça é a Polícia Federal.

Mas Jobim também está numa saia justa danada (situação esquisita num homão daquele tamanho). Mandou informar à CPI que as Forças Armadas realizaram sete grampos desde o ano passado.

Pois não é que o ministro foi desmentido por seu próprio pessoal. O Superior Tribunal Militar e o Ministério Público Militar já tinham informado oficialmente à CPI que as Forças Armadas fizeram 234 escutas telefônicas.

Vou repetir: 234 escutas telefônicas! Não é extraordinário?!

E o ministro Jobim sequer ficou corado. Não pediu demissão, não demitiu ninguém. Nada.

Outro dia mesmo, o deputado Protógenes Guimarães afirmou que recebeu a ajuda de “alguns” agentes da Abin, que atuaram informalmente na Operação Satiagraha.

Em seguida, ficamos todos sabendo que “alguns” eram 56! Isso mesmo: 56 agentes da Abin atuaram na Operação Satiagraha.

Ontem, como se não bastasse mais nada, o segundo homem na hierarquia da Polícia Federal foi preso, acusado de corrupção passiva e de passar informação privilegiada às empresas de Eike Batista.

Tudo isto reforça a convicção de que ninguém manda nada nestes aparatos de inteligência.

Não manda o ministro Jobim, não manda o general Jorge Félix, não manda o ministro Tarso Genro.


Isto é ruim. Quando os porões ganham autonomia, perde a democracia.